sábado, 2 de outubro de 2010

Capitão Marvel





Título: Capitão Marvel/Shazam! (Shazam!/1974-76/EUA/Cor)
Gênero: Série/Aventura
Criação:
Bill Parker Jr. e C.C. Beck
Produtor Executivo: Lou Scheimer, Norm Prescott e Dick Rosenbloom
Elenco:
Michael Gray (Billy Batson), Les Tremayne (Mentor), Jackson Bostwick (Capitão Marvel – 1ª Temporada) e John Davey (Capitão Marvel – 2ª e 3ª Temporada)
Produtora: Filmation/DC Comics/CBS
Formato: 28 episódios de 26 minutos em duas temporadas
Dublagem: Herbert Richers



Em meados de 1939, Billy Fawcett, um veterano da Primeira Guerra Mundial e proprietário da Fawcett Comics, requisitou ao editor Bill Parker e ao ilustrador C. C. Beck que criassem um super-herói para concorrer com a revista em quadrinhos "Super-Homem", da National Periodical, editora norte-americana que mais tarde seria conhecida como DC Comics. A dupla criou então um tal de Capitão Trovão, com uma origem baseada em preceitos sobrenaturais. Beck havia se inspirado nos atores Fred MacMurray e Max Schreck (Nosferatu) para criar as faces do Capitão Trovão e do Dr. Silvana, o vilão da série. 
A revista de estréia do Capitão Trovão chamou-se Flash Comics e foi lançada em janeiro de 1940. Uma publicação produzida com baixíssimos custos, com a capa e miolo em tom acinzentado e com um aspecto de fanzine. Hoje, colecionadores pagam verdadeiras fortunas por estas revistas. 
Mas a National Periodical correu na frente, registrou o nome Flash Comics e lançou de forma oficial uma revista chamada Flash Comics, inclusive, tendo o seu próprio herói, The Flash, no título. Billy Fawcett então teve de mudar o título do gibi para Whiz Comics e o nome do herói para Capitão Marvel. No mês seguinte, Whiz Comics nº 1 (foto ao lado) chegava às prateleiras totalmente colorida e com uma distribuição muito mais abrangente. Era a estréia oficial de um ícone da cultura popular ocidental, embora a história fosse a mesma de um mês antes...
No enredo das histórias, o velho mago Shazam confere as capacidades de um patriarca bíblico e de várias figuras mitológicas ao jovem entregador de jornais Billy Batson, contanto que este continue sua cruzada contra o mal e a injustiça. Assim, ao gritar o nome do ancião, Billy adquire a sabedoria de Salomão, a força de Hércules, a resistência de Atlas, o poder de Zeus, a coragem de Aquiles e a velocidade de Mercúrio, transformando-se no poderoso Capitão Marvel. Aliás, a palavra "S.H.A.Z.A.M" traz as iniciais de todos estes deuses.
Apesar do grande sucesso dos quadrinhos, Bill Parker preferiu voltar a trabalhar para uma revista sobre mecânica onde escrevia anteriormente, passando o cargo para Otto Binder, um escritor veterano de pulp magazines - publicações baratas de ficção que tiveram seu auge entre 1920 e 1950. Com a entrada de Binder, as histórias do capitão ficaram mais sofisticadas e seu universo cada vez mais rico em conceitos e personagens. Foi a partir disto que surgiu o Capitão Marvel Júnior (uma espécie de versão juvenil do Capitão), Mary Marvel (a graciosa irmã doCapitão Marvel), o abobalhado Tio Marvel, Ibac, Adão Negro, Seu Malhado (o tigre falante) e o Sr. Cérebro, um verme pra lá de inteligente. A partir de então, tornou-se conhecida a "Família Marvel", que passou a estrear vários títulos com sucesso garantido, contando com outros artistas na produção das aventuras, entre eles o mestre Jack Kirby. 

A National/DC, detentora dos direitos do Super-Homem, numa manobra judicial, tentou convencer o juiz de que o Capitão Marvel era um plágio descarado do Homem de Aço. Mas o máximo que conseguiram foi uma constatação da Suprema Corte para o fato de que, embora fosse evidente a semelhança entre os personagens, desde suas fantasias até suas respectivas profissões, o único modo de se comprovar cópia deslavada era um minucioso exame em cada uma das histórias já produzidas até então.
Esta briga entre as duas editoras se arrastou até 1953 quando, finalmente, a Fawcett Comics desistiu de publicar qualquer história do Capitão Marvel. Não devido ao processo em si, mas por que as revistas do herói não estavam mais dando lucro. Embora a Família Marvel tenha sumido da área, era notória a sua influência no meio, principalmente se levarmos em conta que muitos dos que trabalharam em suas histórias foram trabalhar na DC Comics. Por exemplo: a Super Moça (Supergirl), que era parecidíssima com a Mary Marvel, só foi aparecer em 1959, criada por Otto Binder, o mesmo criador da irmã do Capitão Marvel. Outro exemplo é o Superboy, que foi inspirado no Capitão Marvel Júnior e concebido pelo mesmo desenhista. 

E mais evidente ainda ficou o próprio Capitão Marvel da Editora Marvel (nada mais justo, já que o nome não estava em uso em meados dos anos 1960), quando o argumentista Roy Thomas tomou as rédeas do título e mudou o uniforme do guerreiro Kree de verde e branco para azul e vermelho, ficando parecido com o do herói da Fawcett Comics0, e fazendo com que o roqueiro Rick Jones trocasse de lugar com ele ao bater suas pulseiras, alusão à transformação de Billy Batson.
No Brasil, a Editora Rio Gráfica (atual Editora Globo) lançou seu próprio gibi, publicado até 1967 (foto ao lado). Após esta data, a EBAL (Editora Brasil-América) publicou a revista do personagem, inclusive com memoráveis edições especiais. Após um período sem novidades, o Capitão recebeu atenção pela série Invictus (Editora Sampa) e uma publicação própria pela Editora Abril.
Em 1973, após 20 anos, a DC Comics adquiriu os direitos de toda a Família Marvel. Devido ao Capitão Marvel (da Editora Marvel), que fazia um relativo sucesso na época, a DC não poderia colocar o nome do herói na capa (e isso vale a até hoje). Assim, o Capitão Marvel original passou a ser identificado nas publicações da DC apenas como Shazam. Hoje, o Capitão Marvel é propriedade da DC e já passou pelas mãos de inúmeros autores e desenhistas, em especial pelo mestre Alex Ross.



Em 1941, no auge do sucesso do super-herói, foi produzido pela Republic Pictures o seriado de cinema As Aventuras do Capitão Marvel (The Adventures of Captain Marvel). Estrelado por Tom Tyler, conhecido cowboy dos filmes de faroeste americanos dos anos 20 e 30 e que dois anos depois encarnou outro personagem de HQ, o Fantasma, Tyler fez o papel de Capitão Marvel e de Frank Coghlan Jr., como Billy Batson. Foi o primeiro seriado com um herói dos quadrinhos. Com muita ação, lutas e efeitos visuais, os 12 capítulos da primeira investida cinematográfica do herói foram um sucesso. As cenas de vôo do Capitão Marvel foram feitas usando várias técnicas, inclusive utilizando um boneco de tamanho real que se movia por um cabo. Um espanto para a época. Curioso saber que os produtores da Republic Pictures queriam fazer o seriado com o personagem do Super-Homem, mas discussões contratuais atrasaram tanto o processo, que a história escolhida foi mesmo a do Capitão Marvel. E foi considerado um dos melhores seriados já produzidos (na época – anos 30, 40 e início dos 50 – era comum os cinemas apresentarem episódios de diversos seriados antes dos filmes, que faziam tanto sucesso quanto o filme em si). 
As Aventuras do Capitão Marvel foi lançado em DVD no Brasil, legendado, pela Classic Line

TV



Anos mais tarde, em 1974, o Capitão Marvel chega à televisão. A série Shazam!, com as aventuras do Capitão Marvel, foi uma das apostas do famoso estúdio Filmation na seara dos personagens de carne e osso, já que até então, o estúdio tinha produzido apenas desenhos animados. E não é que deu certo? Acabou sendo uma divertida série que trazia o famoso herói em aventuras mais voltadas para os jovens adolescentes da época.
Shazam! foi uma série de TV live-action, com meia hora de duração por episódio, que estreou na rede CBS americana nas manhãs de sábado, às 10:30hs. Durou três temporadas, de 7 de setembro de 1974 a 16 de outubro de 1976. Era mais conhecido como A Hora de Shazam e Isis (The Shazam/Isis Hour), pois logo em seguida, apresentava-se um episódio de outro seriado live-action da Filmation, chamado A Poderosa Ísis, que tratava sobre uma super-heroína egípcia que ressuscitava no corpo de uma professora. Durante sua exibição, as duas séries de TV tiveram dois crossovers em 1976, ou seja, o Capitão Marvel e a Poderosa Isis lutaram lado a lado em um mesmo episódio.
A série do Capitão Marvel mostrou um herói diferente dos quadrinhos. O que permaneceu intocado foi o uniforme do herói, além da sua essência, o grito "Shazam" para transformar Billy Batson no mortal mais poderoso do planeta: o Capitão Marvel. Quanto ao resto, nada de família Marvel ou super vilões, mas sim, problemas cotidianos, comuns, simplórios, e sempre envolvendo os adolescentes do momento. Isso sem falar na inclusão do personagem Mentor (uma espécie de Tio Marvel) o qual era o companheiro de Billy, pois viajavam os EUA de costa a costa feito nômades, dentro de um furgão branco, com o raio do Capitão Marvel estampado na dianteira do veículo. No interior deste furgão era onde Billy Batson falava diretamente com os Deuses (S-alomão, H-ércules, A-tlas, Z-eus, A-quiles, M-ercúrio). O mais curioso era que, nesta série de TV, os deuses eram feitos em animação no estilo inconfundível da Filmation. Para tentar elucidar tamanhas disparidades com o personagem original, em um dos episódios iniciais Billy explica para Mentor que tinha tomado uma licença de seu trabalho de locutor de rádio. Tudo muito diferente do Capitão Marvel original. 
Um fato curioso foi a utilização de dois atores para viver o personagem do capitão. Na primeira temporada, Jackson Bostwick faz o papel até o 16º episódio. A partir daí, o capitão passou a ser interpretado por John Davey. Problemas com cachês e contratos e a não renovação de Bostwick foram fatores cruciais para a mudança. O ator Michael Gray fazia o jovem Billy Batson. Com nenhuma semelhança – física ou intelectual – com o personagem, este foi um dos últimos papéis do jovem ator na tevê, que com o término da série, nunca mais conseguiu um bom papel e caiu no ostracismo. Hoje em dia, pode-se vê-lo em seu próprio site, vendendo fotografias autografadas para os fãs mais saudosos. Les Tremayne, que interpretava o personagem Mentor, é o ator mais notório que participou da série. Único ator do elenco que já faleceu (em 19 de dezembro de 2003, aos 90 anos de idade), teve papéis de destaque em séries como Perry Mason, As Aventuras de Rin Tin Tin, O Homem do Rifle, Mister Ed, Viagem ao Fundo do Mar e Os Gatões. Tremayne interpretou também o General Mann na primeira versão do filme "Guerra dos Mundos" (1952). 
Até hoje, em nenhum lugar do mundo, a série do Capitão Marvel foi lançada em DVD. O acesso a esses raros episódios se dão apenas por meio de colecionadores. Hoje, Capitão Marvel é considerado cult e está entre as inúmeras séries que cativam uma legião de fãs no mundo inteiro. 



O Capitão Marvel também virou desenho animado, produzido em 1981 também pela Filmation. O estúdio realizou os primeiros desenhos animados do Batman (1969), do Super-Homem, o cult Jornada nas estrelas, Flash Gordon e, em tempos mais recentes, os politicamente corretos He-man, She-ra, além do verdadeiros Caça-Fantasmas. Uma das características mais chamativas da Filmation era o uso da técnica da rotoscopia, onde se filma primeiro um ator ou maquetes e, a partir disso, realiza-se a animação dos movimentos.
Mas a exibição da versão animada do Capitão Marvel não era fixa, muito menos atração principal. Nosso herói teve de se contentar em ser um desenho coadjuvante do programa "The Kid Superpower Hour with Shazam", dividindo espaço com o desenho Escola de Heróis (Hero High), também exibido no Brasil. O desenho do Capitão Marvel, que contou somente com 13 episódios, o espírito irreverente dos quadrinhos estava presente com toda a família Marvel e os clássicos vilões. A mesma trilha sonora usada na série live-action dos anos 70 foi reaproveitada neste desenho.
Curioso ressaltar que o roteirista do desenho era Paul Dini que, anos mais tarde, ajudaria a recriar a animação de aventura com o desenho definitivo do Batman




Um roteiro para uma versão cinematográfica do Capitão Marvel foi escrito por John August em 2008 mas não chegará a ser filmado. August, que já foi roteirista de filmes como "A Noiva Cadáver", "A Fantástica Fábrica de Chocolate" e os dois filmes das Panteras, escreveu três versões da história do Capitão Marvel mas nenhuma foi aceita pelos estúdios pelo qual a produção passou. Segundo o roteirista, não por serem ruins, mas por puro desinteresse 



No Brasil, a série de tevê Capitão Marvel mostrou as caras pela Rede Globo em 1975 (mesma época em que estreou a "Sessão da Tarde"). As exibições aconteciam uma vez por semana, nas quintas-feiras, 17h30, alternando uma semana com o Capitão Marvel e a outra com A Poderosa Ísis. Entre 1986/87, a série foi exibida pelo SBT, por volta das 9h30, antes de O Elo Perdido e O Super-Herói Americano. A última vez que Capitão Marvel foi exibido na tevê brasileira foi no programa "Bozo", às 13h, no ano de 1989. 
Já a série animada foi exibida aqui por volta das 11h, no programa "Balão Mágico" da Rede Globo, em meados de 1983/85. Passou por outras emissoras, mas há muito tempo não dá as caras na telinha.
Atualmente na televisão, o Capitão Marvel aparece esporadicamente na série animada da Liga da Justiça


Fonte: www.retrotv.uol.com.br

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